. : :  Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

MUDANÇAS

O Blog do Filipe Lima está de mudança de endereço.

Recebi, há um tempo, um convite da equipe de conteúdo da Abril Digital para fazer parte de um projeto de blogueiros VIP da empresa. Obviamente, não poderia recusar.

O conteúdo continuará o mesmo de sempre: muito sobre futebol e um pouco sobre o resto. E, como sempre, abrindo espaço para comentários de bom conteúdo, sem desrespeito a clube, região ou qualquer coisa semelhante.

Portanto, para todos que já me liam neste presente endereço, peço, encarecidamente, que atualizem o endereço de visita nos seus blogs e navegadores.

O novo endereço é http://blogs.abril.com.br/filipelima.

. : :  Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

JOGOS OLÍMPICOS

Depois de uma pausa de um mês, hora do esclarecimento. O Blog do Filipe Lima esteve inativo desde o começo do mês de julho pois o autor deste espaço estava se preparando para fazer uma cobertura analítica dos Jogos Olímpicos. Foi um trabalho proposto na minha universidade, que eu resolvi topar. O desafio do trabalho diário com um tema fechado, principalmente na área de esportes (que é a que mais gosto) me atraiu bastante.

Parei quase todas as minhas atividades, entre elas este blog, para poder ler o máximo que pude para estar o mais pronto possível para fazer esse projeto. E, com alguns dias de Olimpíadas passados, tenho orgulho em dizer que o blog "Hiper Jogos Olímpicos 2008" já tem um conteúdo bem legal. Recomendo-o a todos que lêem o Blog do Filipe Lima.

Para quem tiver o interesse, aqui está o endereço:
http://hiperjogos2008.blogspot.com

Espero sua visita e, se possível, seus comentários.

Obviamente, ao término das Olimpíadas, o Blog do Filipe Lima retorna às suas atividades normais.

. : :  Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

O QUE OS OLHOS NÃO VÊEM

No aniversário de 50 anos do primeiro título brasileiro em Copas do Mundo, os jornalistas de mais idade ficaram extremamente saudosos. Falaram de jogadores como Pelé, Garrincha e Didi com um inconfundível brilho nos olhos. Obviamente, não pude assistir ao vivo a estes jogadores. Mesmo assim, somente os lances mostrados pela televisão e os que se encontra pela Internet são suficientes para chegar a uma conclusão: tal brilho é totalmente justificável. Com a bola nos pés, jogadores como Didi (menos exaltado por boa parte da nova geração do que Pelé e Garrincha) faziam qualquer jogada parecer fácil.

O tratamento dado pela imprensa do País às bodas de ouro do futebol brasileiro com o título foi excepcional. Tão dourado quanto merecia ser. Em uma nação que reclama de si mesma por ter memória fraca, foi até impressionante o nível de valorização dada à data.

Tudo bonito, festa merecida, mas sempre há um "mas". E o grande problema, neste caso, é quando o brilho dos olhos seca e fica enterrado junto ao passado. O olhar que antes cintilava pelo bom futebol não só deixa de fulgurar como fica míope. E bota miopia para crer que o bom jogo não existe mais!

A Euro que se encerrou no último domingo é um ótimo exemplo. Jornalistas que optaram pela cegueira deixaram de apreciar uma das melhores competições dos últimos tempos. Times recheados de meias criativos e habilidosos, volantes com boa qualidade de passe e laterais ofensivos. Times que fogem de todos os clichês que os menos informados pensam ser o estilo de jogo europeu: nada de chuveirinho, atacantes duros ou times medrosos.

O que dizer, por exemplo, de uma Turquia tão argentina! Uma equipe que superou todos os seus limites e chegou a um nível inesperado, imprevisível. Uma seleção que, mesmo com inúmeros desfalques, alcançou as fases decisivas da competição, tirando, pelo caminho, a dona da casa Suíça, a respeitável República Tcheca e a forte Croácia. Turquia que foi protagonista em momentos que vão ficar na memória do torcedor. Os gols chorados, nos segundos derradeiros, contra tchecos e croatas, além do poder de superação exibido contra os alemães.

E o desempenho holandês na primeira fase! Um passeio, que fica mais impressionante quando lembrado que os adversários não eram fracos, mas, sim, Romênia, França e Itália. Van der Vaart, Sneijder, Van Persie e Robben (no pouco tempo em que esteve sem lesão) mostraram que a tradição holandesa de meias bons de bola permanece intacta. Holanda que só foi derrotada pelos russos, que tiveram no pé de Arshavin um futebol ousado, sem medo de driblar, e um conjunto invejável, coroando excelente trabalho do treinador Guus Hiddink.

Em meio a tantos aplausos, nenhum poderia ser maior que o dedicado à campeã Espanha. Finalmente, a Fúria venceu seus próprios fantasmas. Fatos que sempre rondaram a equipe, como o de que ela costuma ter mau desempenho em momentos decisivos, principalmente em quartas-de-final. E que modo de quebrar essa escrita! Logo contra os italianos, tradicionalmente fortes em mata-mata, na decisão por pênaltis após tenso empate, em noite iluminada do goleiro Casillas. Espanha que finalmente viu um grupo de bons jogadores virar um bom time e conquistar um merecido título.

O passado serve para aprendermos com os erros e reaplicarmos o que foi feito de bom. Por isso, é importante lembrar de craques como os da Copa de 1958. Porém, se olharmos para trás com o único intuito de desdenhar do panorama atual do futebol mundial, não só estaremos deixando o passado sem nenhum tipo de utilidade prática, como estaremos negando a visível realidade: competições como a Euro 2008 mostram que o futebol ainda está muito vivo. Só não vê quem não quer. Morrem os olhos saudosistas, mas o esporte respira. Sem aparelhos e com muita disposição.

SELEÇÃO DA EURO

O Blog do Filipe Lima apresenta a seleção dos, na opinião deste que vos escreve, melhores jogadores da Euro 2008.

Iker Casillas (Espanha)
Sergio Ramos (Espanha)
Giorgio Chiellini (Itália)
Joris Mathijsen (Holanda)
Philipp Lahm (Alemanha)
Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Marcos Senna (Espanha)
Xavi Hernández (Espanha)
Lukas Podolski (Alemanha)
Andrei Arshavin (Rússia)
David Villa (Espanha)

Guus Hiddink (Rússia)

Melhor jogador do campeonato: David Villa (Espanha)

. : :  Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

SELEÇÃO DA LIGA DOS CAMPEÕES DA UEFA

Antes tarde do que nunca! Apesar de com um pequeno atraso, o Blog do Filipe Lima divulga sua lista dos melhores jogadores da Liga dos Campeões da UEFA desta temporada.

Edwin van der Sar (Manchester United)
Rafinha (Schalke 04)
John Terry (Chelsea)
Rio Ferdinand (Manchester United)
Ashley Cole (Chelsea)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Steven Gerrard (Liverpool)
Frank Lampard (Chelsea)
Alex (Fenerbahçe)
Lionel Messi (Barcelona)
Fernando Torres (Liverpool)

Sir Alex Ferguson (Manchester United)

Melhor jogador do campeonato: C. Ronaldo (Manchester United)

. : :  Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

EXEMPLO?

A cena mais marcante da quarta rodada do Campeonato Brasileiro foi, sem dúvida, a detenção do zagueiro André Luís, do Botafogo. Após ser expulso por uma jogada de interpretação no mínimo discutível, o atleta, visivelmente irritado, mostrou o dedo à torcida do Náutico e chutou uma garrafa na direção da arquibancada. Além disso, dirigiu-se ao banco de reservas, onde não poderia ficar após o cartão vermelho.

Posta a situação, a polícia agiu. Totalmente fora de tom, diga-se: além de usar de força extremamente desnecessária, ainda teve a capacidade de decidir levar o jogador para fora do estádio pelo meio da torcida alvirrubra. Os policiais podem tentar justificar essa ação como quiserem, mas a sensação que ficou foi somente uma: a de que André Luís foi submetido a uma punição prévia, sentenciada por eles, como se tivessem poder para esse tipo de pré-julgamento.

Neste ínterim, há uma pergunta que não quer calar. Por qual motivo, exatamente, o jogador foi detido? Se a resposta for que ele estava indevidamente no banco de reservas, ela é absurda – ainda mais quando se pensa na intensidade da ação policial. Afinal, quantas vezes alguém é expulso e demora uma eternidade até se retirar dos arredores do campo? Entretanto, se a explicação for que ele fez um gesto obsceno e chutou uma garrafa às arquibancadas, a discussão aprofunda.

Quantos são os torcedores que, no estádio, durante o jogo, fazem todos os tipos de gestos ofensivos a jogadores, treinadores e arbitragem? Somem-se a isso os que insultam, cospem, enfim, fazem diversas barbaridades. Quantos deles são detidos?

Para que se fizesse algo com André Luís, o mesmo deveria ser exigido para todos esses torcedores citados. Ou aqueles que ofenderam o meia do São Paulo Richarlyson, por exemplo, durante toda a partida da Vila Belmiro, ontem, também não estão infringindo a lei? Só porque um está dentro de campo e os outros estão fora dele, o tratamento vai ser diferente? Os direitos e deveres mudam dependendo da posição em que se está? Ou todos são seres humanos, iguais?

Há quem diga que a ação de um atleta dentro de campo serve de exemplo e pode incitar violência na torcida, e que isso requer coerção da polícia. Só que é inimaginável considerar que dois torcedores brigarão entre si devido a algo que não foi feito por nenhum deles, mas, sim, por um jogador. Isso só ocorrerá com quem já vai ao estádio com o objetivo de arranjar confusão. E se esse for o caso, haverá briga de qualquer maneira, haja incitação ou não.

Claro que nada disso justifica o ato de André Luís, que foi completamente errôneo. Porém, a reação foi tão injustificável quanto. Jogador, com raras exceções, não é exemplo. Fosse, haveria uma enorme quantidade de torcedores trocando carrinhos violentos na arquibancada. Exemplo é tratar todos igualmente, respeitando direitos e exigindo o mesmo comportamento. E não foi isso a que se assistiu no fim de semana.

. : :  Terça-feira, 13 de Maio de 2008

VERDADES DO FUTEBOL

O mundo do futebol tem seus próprios mitos. Tradições que passam por todas as gerações de aficionados e ficam atreladas ao conhecimento popular do esporte. Afirmações sobre times, atletas, competições e localidades que já são tidas, em sua maioria, como verdades absolutas. Acontece que, apesar de tão repetidas, nem sempre correspondem à realidade.

As equipes argentinas e uruguaias, por exemplo. Basta um time brasileiro ter que enfrentar um de nossos vizinhos para o velho discurso batido recomeçar. Invariavelmente, haverá ao menos um jogador dizendo que nossos hermanos usarão de diversas artimanhas para ganhar tempo, segurar o placar e irritar nossos compatriotas – a famigerada "catimba".

Vai-se tão preparado para esse tipo de situação que os atletas entram em campo totalmente tensos. No final, os platinos não fazem nada do que se acusava e os verde-amarelos, previamente irritados com o que não aconteceria, terminam por arranjar confusão e levar muitos cartões.

Este temor prévio aumenta se o adversário é o argentino Boca Juniors. Seu estádio, La Bombonera, é considerado um caldeirão de pressão nada amigável para os visitantes. Porém, ele é exageradamente mistificado pelos brasileiros. Tem-se que é impossível vencer naquela arena, tal o volume da gritaria produzida pela torcida e a imposição de estilo do Boca quando jogando em casa.

Todos esses fatos são reais, mas, daí a acreditar que uma vitória em Buenos Aires é inalcançável, há uma grande diferença. Difícil, é, pelos motivos citados. Impossível, não. É só lembrar que até o Paysandu, time de tradição somente média, já conseguiu vencer lá.

Outra imagem errônea que se criou foi da segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Não é difícil encontrar quem fale da Série B como uma competição em que jogadores de qualidade não bastam – que o principal para ascender à elite nacional é a força de vontade. Demonstração de raça é, realmente, essencial para qualquer agremiação. Entretanto, sem qualidade, a chance de qualificação para a Série A é praticamente zero.

A existência de uma cultura de conhecimento popular no futebol é um dos fatores que faz dele uma temática especial. A participação do homem comum em discussões especializadas contribui para uma aproximação única em termos de esporte. Mas sempre há de se lembrar que muitas dessas opiniões – algumas delas muito bem aceitas até no meio jornalístico – não passam de puro folclore, não condizendo com a realidade.

- Texto originalmente escrito para a seção "Eu acho que..." do jornal Entrevista, projeto laboratorial da disciplina de Jornalismo impresso da Universidade Católica de Santos.

. : :  Terça-feira, 29 de Abril de 2008

O VERDADEIRO TORCEDOR

O noticiário especializado em futebol está cada vez mais manchado. São manchas de sangue misturado com lágrimas. Choro de vergonha do verdadeiro apaixonado pelo esporte, que vê seu objeto de amor sendo transformado em campo de guerra por torcedores uniformizados. E para quem pensa que isso acontece somente no Brasil, vale a lembrança de que esse problema é mundial: a Argentina, por exemplo, está em estado alarmante. Países considerados mais desenvolvidos, como Itália e França, vivem cenas que mais parecem embates medievais. Até em localidades onde o futebol não é tão forte, as imagens se repetem.

Porém, aqueles que se informam diariamente podem acabar com a impressão de que o torcedor virou guerrilheiro. E não é bem assim. O tipo de pessoa que gera os conflitos que preenchem os jornais de esporte ainda é minoria. A maior parte dos fãs de futebol ainda é pacífica e sabe lidar bem com a rivalidade. Caso, por exemplo, do estudante de Ensino Médio Nelson Ricardo Coelho Flores Zuniga, que se diz fanático pelo esporte número um do País. Já deixou de viajar, inclusive, simplesmente para assistir a um clássico do futebol inglês.

Para Zuniga, a rivalidade saudável é a principal graça que há em torcer: "Não seria nada legal ver sua equipe ganhar e não poder falar nada. Você tem que comentar, brincar com o time dos seus amigos. Isso, claro, sabendo aceitar quando alguém fizer o oposto. Não se pode ficar nervoso por causa de um esporte, até porque não é você que está ganhando dinheiro com isso".

Braitner Moreira Andrade é estudante de Jornalismo em Brasília e também se considera fanático por futebol. Ele é um dos idealizadores do blog QuattroTratti, indicado por vários sites como leitura obrigatória sobre os campeonatos e a seleção da Itália. Pelos jogos da Roma, seu time de coração, ele não tem horário: pára o que estiver fazendo, inclusive o sono, se for o caso, para poder acompanhar.

Moreira considera que a maior parte das brigas entre torcidas acontece porque há, dentro delas, bandidos que utilizam a rivalidade como desculpa para canalizar o que dá errado na vida pessoal: "No Brasil e na Itália, não há outra solução que não dissolver esses agrupamentos, com a aplicação do que deu certo, por exemplo, na Inglaterra e na Alemanha. Leis rigorosas e punições aplicadas com seriedade. Além disso, deve-se fazer com que os clubes parem de apoiar esses grupos, especialmente aqui".

O verdadeiro fanático do futebol, o saudável, está perdendo espaço nas arquibancadas para outro tipo de fanatismo. O violento, ignorante, desrespeitoso, sem humor. Já passou da hora de as autoridades responderem a esse problema com ações firmes. Exemplos, como lembrou Moreira, existem. A solução, nesse caso, não visaria somente a salvação do esporte. Mas sim, nas palavras dele, "salvar a vida de quem ainda se arrisca para ver futebol, pelo menos".

- Texto originalmente escrito para o site Hipertexto, projeto laboratorial da disciplina de Jornalismo on-line da Universidade Católica de Santos, com colaboração de Lucimara Bonjorno.

. : :  Terça-feira, 1 de Abril de 2008

FENÔMENO INESGOTÁVEL

A história de Ronaldo é bem conhecida. Ainda jovem, destaque do Cruzeiro, estava no elenco do Brasil campeão mundial de 1994. Foi para a Europa, onde passou pelo PSV antes de chegar ao Barcelona, clube pelo qual se tornou grande estrela do futebol mundial. Na Internazionale, foi apelidado de Fenômeno – nada mais justo, pelo alto nível demonstrado até então.

Mas, na Copa de 1998, teve início uma série de dramas na carreira do atacante. Até hoje, especula-se o que aconteceu com ele antes da final contra a França, fato que gerou todo um mal-estar que colaborou para a derrota brasileira no Stade de France. Tempos depois, sofreu sua famosa lesão no joelho, que o deixou parado por um longo período. Antes da Copa de 2002, era alvo da descrença de muitas pessoas. A volta por cima se deu exatamente no mundial, onde, ao lado de Rivaldo, brilhou na conquista do penta.

Pois a fase atual de Ronaldo lembra muito o momento anterior à Copa da Coréia e do Japão. Novamente lesionado no joelho, acusado de estar acima do peso e desacreditado pela maioria quanto à sua volta aos gramados, o Fenômeno tem mais um desafio pela frente. Um obstáculo que ele já se mostrou capaz de ultrapassar com a categoria que somente os maiores craques do esporte possuem.

Bem tratado e trazido de volta aos campos sem pressa (para não atrapalhar a recuperação), Ronaldo tem tudo para, novamente, calar seus críticos. Em boa forma, ele ainda tem idade e qualidade para ser um dos maiores atacantes do mundo, quiçá o melhor. Espaço nas melhores equipes do mundo não deve ser impedimento para o retorno de quem nunca deixou dúvidas dentro das quatro linhas.

A lição aprendida em 2002 parece, pouco a pouco, estar sendo esquecida. O ponto final da carreira de Ronaldo só poderá ser dado por ele mesmo. Ninguém mais é capaz de tentar prever quando que ele irá parar. Se Romário jogou até seus 40 anos, Ronaldo, que sempre foi mais jogador que o Baixinho e ainda tem 31, pode almejar um grande futuro no futebol.

. : :  Terça-feira, 18 de Março de 2008

A CULPA NÃO É DO ÁRBITRO, É DA MÍDIA

Após uma rápida busca na Internet, qualquer um pode concluir que a palavra "arbitragem" anda em moda na mídia esportiva. É treinador elogiando quando vence a partida e reclamando quando perde. É presidente da Comissão de Arbitragem comentando... A arbitragem virou até sujeito de título de notícia, como se fosse uma pessoa.

É indiscutível que o árbitro sempre foi importante dentro de campo. E que, em algumas ocasiões, comete erros. Porém, daí a dizer que ele é responsável pelo resultado de um jogo, há uma diferença absurda. Afinal, se um time joga bem, não há erro algum que possa impedir uma vitória. E é essa responsabilização que vem acontecendo.

Atualmente, a arbitragem virou personagem central de todos os veículos esportivos. Ignora-se completamente todos os 90 minutos de uma partida. Tanto faz se um jogador foi bem ou mal, se um gol foi bonito ou não. A discussão fica toda centralizada em um ou dois lances do jogo, nos quais o homem de preto pode ter errado e influenciado no placar.

Na televisão, as mesas redondas de domingo passam horas falando somente disso. Na Internet, inclusive, já foi feito um vídeo com os (segundo o GloboEsporte.com) dez principais erros de arbitragem do Campeonato Brasileiro de 2007. Uma idéia absurda! Com um detalhe interessante: em um dos lances que o vídeo mostra (o número oito), o comentarista da partida também erra a interpretação! Ou seja: se até o comentarista pode errar, por que o árbitro não?

A mídia esportiva está ficando chata. Jogos excelentes, como Botafogo e Flamengo, na final da Taça Guanabara de 2008, e Santos e São Paulo, no Campeonato Paulista, também de 2008, são transformados em meras discussões de regras de futebol. É o fim da era dos gols bonitos, dos dribles plásticos e dos lances emocionantes. Estamos virando todos filhotes de Arnaldo Cezar Coelho e acabando com a beleza do futebol.

- Texto originalmente escrito para o HiperCrítica, blog do site Hipertexto, projeto laboratorial da disciplina de Jornalismo on-line da Universidade Católica de Santos.